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Viagem ao Caminito del Rey

Sexta-feira, dia 7 de Setembro, a Sentir Aveiro partiu de malas feitas para dois dias rumo a Espanha. Nas mãos convictas do Sr. Alexandre e do Sr. Filipe, o autocarro deixou a Universidade de Aveiro com 49 pessoas de espírito sedento de aventura no seu interior. Depois de algumas horas de paisagens belíssimas pousadas na escuridão, chegaram, felizes, a Cañete la Real, uma aldeia na província de Málaga onde as vielas se preenchem de portas que permanecem abertas e as pessoas soltam sorrisos cúmplices ao ver passar turistas. Ali, naquela aldeia com vista para campos vastos e de cores quentes, o grupo ficou alojado num albergue cujo nome evidencia a forte influência árabe na região – Al-Jalid –, um espaço amplo e cuidado numa zona elevada da pequena povoação. Depois de um almoço reconfortante, com os casacos a espreitar das mochilas também munidas de água e pequenos snacks, os 49 aventureiros fizeram-se à estrada rumo ao Caminito del Rey, um trilho construído no início do século passado para transportar materiais e pessoas entre duas centrais de energia então instaladas no desfiladeiro El Chorro.

Atravessados olivais imensos, o autocarro parou. Os caminhantes percorreram, sem esforço, 2,7 quilómetros pelo verde da floresta até chegarem à entrada oficial, onde foram colocados os capacetes e dadas as últimas instruções. “Boa caminhada”, desejaram os responsáveis. O ar encheu-se de Natureza. De repente, o Mundo exterior desapareceu do imaginário de todos e estes tornaram-se apenas olhos.

Hoje, reinventado pela Junta de Andaluzia, o caminito faz-se de forma segura, por caminhos que fazem adivinhar a altura do desfiladeiro sem provocar vertigens na Alma. A paisagem absorve quem por ali se move. O relógio pára e o espanto toma conta. A Natureza espraia-se em todas as direcções – as águas azuis dos lagos reflectem as nuvens, as paredes de pedra tocam o céu. O Homem revela-se um arquitecto extraordinário.

A chuva começou a cair quando os primeiros do grupo vislumbraram a ponte suspensa. Ninguém pareceu, porém, ter medo de caminhar à chuva. Os passos não abrandaram e o grupo chegou ao final do caminho pleno de uma energia que só a Natureza sabe injectar.
À noite, fizeram-se brindes à mesa de jantar e num simpático café da aldeia.

Na manhã seguinte, com o Sol, chegou também a hora da despedida. O grupo fez-se, de novo, ao autocarro, que se deslocou, suave, por entre a paisagem até Sevilha. Lá, os pés de cada um puderam fazer-se à calçada sem roteiro definido. Houve quem se cruzasse com dançarinas de Flamenco, quem sorrisse em deslumbre ao ver reflectidas as nuvens nas águas da Praça de Espanha.

Às duas horas, com o estômago já feliz e reconfortado, os viajantes regressaram ao veículo fresco e pronto para se fazer à cidade de moliceiros e ovos moles. No seu interior, ninguém dormiu. A música tomou conta e todos, sem excepção, se despediram de um fim-de-semana diferente ao trautear ou, até, cantar as mais diversas canções.

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